segunda-feira, 9 de novembro de 2015

MAQUIAVÉLICOS

 
 
Estes dois homens são advogados poderosos em Portugal, têm um percurso conhecido com justiça e curricula invejáveis por mérito próprio – tanto profissionais como partidários.
Júdice desde jovem entrou na acção política, sendo que o apoio a Spínola e o envolvimento no MDLP revelam a sua juventude corajosa à altura dos factos, e um indivíduo capaz de causas – que não iria ‘submeter-se’ facilmente à tonteira revolucionário pós 25 de Abril.
Proença de Carvalho, mais cavalheiro, subiu com inteligência e persistência na Comunicação Social, na Política e nos negócios: hoje é incontornável em ‘presidências não executivas’, administrações e outros cargos de extrema importância – isto, para não falar na sua advogacia de estrelato.
 
 
Ora a haver alguma coisa de verdade nesta notícia (desmentida, é certo):
 
« Administração do DN proíbe publicidade do CM sobre caso Sócrates
 
04 Novembro 2015, 20:36 por David Santiago / dsantiago@negocios.PT
 
A administração do Diário de Notícias ordenou que o jornal retire a publicidade do Correio da Manhã sobre o impedimento de publicar notícias relativas ao processo judicial que envolve José Sócrates. O Expresso avança que esta foi uma decisão tomada por Proença de Carvalho, ex-advogado de Sócrates.
A administração da Global Media decidiu impedir o Diário de Notícias (DN) de voltar a publicar a publicidade do Correio da Manhã (CM) relativa à decisão judicial que impede o jornal de noticiar o processo judicial contra o ex-primeiro-ministro José Sócrates.
De acordo com a notícia avançada pelo jornal Expresso, esta decisão terá sido tomada por Daniel Proença de Carvalho, presidente não executivo da Global Media, dona de publicações como o DN e o Jornal de Notícias (JN), e comunicada ainda na tarde da passada sexta-feira. Aquela publicação adianta que esta versão foi desmentida pela comissão executiva da Global Media’. »
 
… estamos perante algo que já está para lá do razoável em termos da capacidade de uma pessoa ou grupo económico interferir no desenrolar normal e livre de uma qualquer Sociedade.
 
Por outro lado, devemos recordar que Júdice – por volta de 2002-2003 – era simultaneamente proprietário, director e redactor de um jornal intitulado ‘O Semanário’. Este jornal produziu uma edição, com a curtíssima vida de apenas algumas horas, e com a ‘Cacha’ da primeira página (‘negra e escandalosa’) sobre Paulo Portas, quando este era Ministro da Defesa do Governo-Barroso, e houve uma 1ª decisão favorável à escolha dos submarinos alemães em detrimento do material francês. Essa magnífica edição sensacionalista e de escândalo calunioso (pois que jamais provou o que afirmava sobre PP) tinha significativamente uma fotozinha de um submarino em cima, remetendo para um artigo bem no interior – repleto de queixumes e de ‘denúncias de corrupção’. De notar que Júdice era, à altura, representante em Portugal do Consórcio Francês que concorria com os seus submarinos ao reequipamento da Marinha; pelo menos, esta qualidade e interesse jamais foram desmentidos pelo próprio.
 
 
Fazer leis à medida, ‘safar’ políticos cleptómanos, preparar projectos-lei cheios de buracos, alçapões e armadilhas; interferir nos Negócios de Estado; capacidade para suspender ou fabricar artigos de jornal e informação, capacidade para promover líderes partidários ou retirá-los do lugar: são estes os verdadeiros Príncipes – neste caso ‘das Trevas’. São estes os verdadeiros donos disto tudo; estes dois e um punhado de outros tantos.
Demasiado poder depositado em tão poucos homens.